top of page

Dando azia em geral

“Ai, ela é toda boazinha, ela toda do bem, ela é tão galera…ah, vsf, sabe?! Chata pacas”.

Não é por nada, mas eu desconfio de gente amado demais por todo o mundo. Não por achar essa pessoa uma falsa ou uma cretina, apenas por não acreditar que esse alguém é real, no cru, no duro, no raso.


Essa história de não se indispor em certos momentos é um saco. É uma imensa masturbação mental de gente que acha que agradar é uma boa forma de conseguir ter paz de espírito. Não é. Não tem que ser um gênio para entender isso.


Já fui a pessoa que ficava pisando em ovos com relações para tentar chegar num patamar de amabilidade impossível, idealizado e completamente medíocre. Sim, hoje eu acho medíocre e cafona essa pira que se tem de ser amado por geral sem deixar nem que for uma indisposição ou desafeto por conta de uma opinião, jeito e forma de lidar com o mundo.


É óbvio que eu não estou falando de infringir Direitos Humanos, pelo amor de Deus, tenha bom senso. Estou falando de posicionamento, de por limites, de estabelecer um diálogo sobre o sofrimento, os erros e as discordâncias. Olhar dentro de si, do que é feio, do que é anormal e ter essa coragem de falar: caralho, eu também sei me indispor para não seguir segurando sapo no meio da goela.


Para mim, hoje, nada tira mais minha paz interna do que ter que ficar fingindo que está tudo bem, apenas para não criar mais conflito. E a minha cabeça fica como se eu já quebrei o pau com geral aqui no meu íntimo? Prefiro dar essa azia aí para uma meia dúzia de gato pingado que sofrer dentro da minha própria mente incontáveis momentos de conversas atravessadas em que eu sempre saia por cima, e sempre muito machucada.


Das últimas vezes que eu resolvi me indispor, precisei de apenas uma coisa para apontar o meu desafeto e a maioria das vezes a vida continuou bem melhor, bem mais estabelecida, com muito mais honestidade. As amizades entenderem o descontentamento e os amores continuaram sendo amores, mesmo depois de um: “isso aqui está uma merda!”.


Meu sincericídio nem sempre é bem dosado, mas de azia eu não morro, graças ao limite que eu coloquei de pensar que se alguém der um tapa na minha cara eu vou gritar “AAAAI”, não vai passar despercebido.


E eu não estou falando de má educação ou de ser um babaca deliberadamente. É sobre limites. Sobre comunicar francamente o que é difícil de aturar (para você) e também e, PRINCIPALMENTE, aprender a escutar que você não é a melhor pessoa que já pisou na Terra, aliás, ninguém nunca é. Mesmo que muito amado, muito tudo, todo o mundo tem seu ponto ruim.


Saiba acolher os apontamentos de quem te rodeia, escolha bem como reagir a isso e, caso ache que deva, repense melhor antes, mas não deixe passar. Pergunte aos seus amigos o que acham sobre você, isso estabelece outros pontos de vistas de você mesmo.


Ser amado, querido e desejado é o máximo. Mas sentir isso por você sem precisar da aprovação de geral, não tem preço. E outra: muitas das vezes a gente é filha da puta ficando quieto. Deixando as pessoas acharem que está tudo bem quando está realmente foda de lidar. Seja bom, não seja burro.

Comentarios


Olá, que bom ver você por aqui!

Sou um parágrafo. Clique para adicionar o seu próprio texto e editar. Sou um ótimo espaço para que seus usuários saibam mais sobre você.

Fique por dentro de todos os posts

Obrigado por assinar!

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • Pinterest
bottom of page